“Três dias e três noites” – Jesus quando cita Jonas (cap. 1:17), em Mateus 12:40, emprega a frase "três dias e três noites". A pergunta quanto ao tempo que Jesus permaneceu na sepultura surgiu de uma incompreensão moderna da chamada "contagem inclusiva", método comum na Antigüidade, segundo o qual se contava tanto o dia (ou ano ou mês) no qual começava um período, quanto o dia em que terminava, não importando quão pequena fosse a fração desse dia (ou ano ou mês) inicial ou final. Eis alguns exemplos bíblicos:
No livro de 2Reis 18:9-10, lemos o seguinte: “No quarto ano do rei Ezequias que era o sétimo ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, subiu contra Samaria, e a cercou e, ao fim de três anos, tomou-a. No ano sexto de Ezequias, que era o ano nono de Oséias, rei de Israel, Samaria foi tomada”. Observe que Salmanasar subiu contra Samaria no quarto ano de Ezequias, e a tomou no ano sexto. Hoje, nós diríamos que Salmanasar levou dois anos para tomar Samaria (6 - 4 = 2) porém o texto bíblico diz que foi “ao fim de três anos”. Ou seja, pelo método da contagem inclusiva, foram contados o 4º, 5º e 6º anos do reinado de Ezequias.
A Bíblia dá vários períodos de "três dias" que concluíram DURANTE o terceiro dia, e NÃO DEPOIS do terceiro dia, e que portanto não eram períodos de três dias completos de 24 horas. Veja Gên. 42:17-29; conferir 1Reis 12:5, 12 com 2Crôn. 10:5 e 12.
Há exemplos desta "contagem inclusiva", não somente entre os judeus, mas também entre outros povos da Antigüidade. Esse sistema era comum no Egito, Grécia e Roma, e ainda é usado hoje no Extremo Oriente. Em alguns países do Oriente se computa a idade dando à pessoa um ano mais do que se dá no Ocidente. Assim um coreano que diz ter 25 anos tem somente 24 segundo a contagem ocidental. Segundo o cômputo chinês, um menino que nasce na última parte do ano tem dois anos no ano seguinte, pois está vivendo o segundo ano de sua vida, conforme o calendário; e no começo do ano seguinte completará três anos de vida mesmo que só um desses anos seja um ano completo. Os gregos chamavam a Olimpíada, que se realizava de quatro em quatro anos, de pentaeteris (período de cinco anos).
Como o costume de empregar o cômputo inclusivo está bem comprovado por seu uso entre os hebreus, em outras nações antigas no Oriente e até nos tempos modernos, parece pouco razoável entender as palavras de Jesus quanto ao período de três dias segundo o uso de nosso método matemático moderno ocidental. Os ouvintes de Jesus contaram os "três dias", segundo o seu costume, em forma sucessiva: sexta-feira (parasceve pascal), sábado e domingo (primeiro dia da semana).
Os que se apegam a detalhes para questionarem as sólidas doutrinas cristãs gostam de se arrogar o "zelo" de estarem sendo fieis às palavras do próprio Cristo: "ficarei três dias e três noites no seio da Terra", e usam este argumento para dizerem que apenas se Ele morresse na quarta-feira é que tal afirmativa seria verdadeira.
Pelo que vimos acima, este argumento é fragilíssimo, pois não leva em conta uma pergunta muito importante em matéria de interpretação da Bíblia (e que muitos preferem ignorar): para quem estavam sendo dirigidas aquelas palavras? Como eles a entenderiam, levando-se em conta sua cultura na época?
Ou seja, não resta a menor dúvida, para o estudante sério e sincero da Palavra de Deus, que o nosso Senhor morreu mesmo no dia que hoje chamamos de "sexta-feira", permaneceu todo o sábado na sepultura, e ressuscitou nas primeiras horas do dia que hoje chamamos de "domingo". Para Seus ouvintes, este fato não causou o menor problema com relação à citação que Jesus fez de Jonas, pois em ambos os casos, os envolvidos passaram TRÊS DIAS E TRÊS NOITES "sepultados" (um no ventre do peixe, e o Outro na tumba).
Aliás, por que será que dos 3 dias que Jesus passou "descansando" na sepultura, somente o SÁBADO foi utilizado integralmente? Será coincidência? rsrs
"e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).